Neste blog você irá encontrar sugestões de atividades, atividades já realizadas, informações sobre o Ensino Religioso no estado do Paraná e principalmente em Curitiba. Trabalhar com a diversidade religiosa em sala de aula é algo extremamente rico pois, é na diversidade que aprendemos a respeitar o outro.


10 de abril de 2016

ONTEM MENINO, HOJE HOMEM. ALGUNS RITOS DO MUNDO

Em quase todas as culturas tradicionais, os ritos de passagem assinalam o fim da infância e o início da idade adulta. Mas nem todos esses ritos são indolores e isentos de perigo como os nossos bailes das debutantes, a primeira comunhão dos católicos ou o bar mitzva dos judeus. Existem aqueles que se lançam literalmente no vazio amarrados a um cipó nos tornozelos, e quem se deixa picar nas mãos por dezenas de formigas tropicais.

Luiz Pellegrini diz que, Ritos de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no seio de sua comunidade. Esses ritos podem ter caráter social, comunitário ou religioso, e marcam momentos importantes na vida dos indivíduos. Os mais comuns são os ligados a nascimentos, mortes, casamentos e formaturas. Em nossa sociedade, os ritos ligados a nascimentos, mortes e casamentos são praticamente monopolizados pelas religiões. Já as formaturas não costumam ser, em si, religiosas, mas frequentemente têm importantes momentos religiosos. O termo “rito de passagem” foi popularizado pelo antropólogo alemão Arnold van Gennep no início do século vinte.


Rito de iniciação de faquir indiano
Em todas as sociedades primitivas, determinados momentos na vida de seus membros eram marcados por cerimônias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou ritos de passagem. Essas cerimônias, mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, representava igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade na qual estava inserido, tendo, portanto, tanto cunho individual quanto coletivo.
Geralmente, a primeira dessas cerimônias era praticada dentro do próprio ambiente familiar, logo em seguida ao nascimento. Nesse rito, o recém-nascido era apresentado aos seus antecedentes diretos, e era reconhecido como sendo parte da linhagem ancestral. Seu nome , previamente escolhido, era então pronunciado para ele pela primeira vez, de forma solene. Alguns anos mais tarde, ao atingir a puberdade, o jovem passava por outra cerimônia.

Todos os anos os muçulmanos comemoram a festa do Ramadã, rito que assinala a passagem para um novo ciclo do tempo.
Para as mulheres, isso se dava geralmente no momento da primeira menstruação, marcando o fato que, entrando no seu período fértil, a garota estava apta a preparar-se para o casamento. Para os rapazes, a cerimônia geralmente se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do primeiro animal. Ambas ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, tais ritos significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo: ao derramar sangue para a preservação da comunidade (pela procriação ou pela alimentação), ela estava simbolicamente misturando o seu próprio sangue ao sangue do seu clã.
Na galeria abaixo apresentamos alguns ritos de passagem realmente incríveis – pelo menos para nos, ocidentais.

Picados pelas formigas. Ela é uma Paraponera clavata, que os indígenas da Amazônia chamam tocandira e os de língua inglesa bullet ant, ou formiga-projétil. É assim chamada porque a dor que provoca quando pica com suas potentes mandíbulas é comparável à de um tiro de revólver. Para entrar no mundo dos adultos, os adolescentes homens da tribo dos Sateré Mawé, que vivem na fronteira entre o Amazonas e o Pará, desafiam esse monstruoso inseto – uma das maiores formigas do mundo, chegando a 3 centímetros - enfiando as mãos no interior de um par de luvas (veja a foto) recheadas com dezenas de tocandiras. Os garotos têm que dançar com as mãos dentro da luva durante dez minutos. A dor pode durar até 24 horas e é tão intensa que o corpo sofre com convulsões. O mais inacreditável é que os homens da tribo repetem este ritual várias vezes durante a vida, para provar a sua masculinidade. E devem resistir sem gritar, sem chorar ou se lamentar durante pelo menos dez minutos!

Veneno sagrado. A tribo indígena dos Matis, que vivem na floresta amazônica brasileira, realiza quatro testes com os garotos, para que eles mostrem que podem participar das caçadas com os outros homens. Primeiro, os garotos recebem veneno diretamente nos olhos, para supostamente melhorar a sua visão e aguçar os sentidos. Depois, eles são espancados e recebem chicotadas, para depois receber a inoculação do veneno de um sapo venenoso da região. A tribo acredita que o poderoso veneno do animal aumenta a força e a resistência, o que só acontece depois que o participante do ritual sofre com fortes enjoos, vômitos e diarreia. Quando os garotos passam por esta terrível sequência de testes, são considerados aptos a participar das caçadas da tribo. Foto: Paulo Whitaker.

Sangue purificador. Para os Matausa, uma população do Arquipélago Papua Nova Guiné, o corpo da mulher não é puro e, de consequência, também os filhos que a mulher gera não são puros. Os jovens são purificados durante a adolescência (ou em alguns momentos importantes da vida, por exemplo pouco antes do casamento) com um ritual muito doloroso e violento: Eles inserem pela boca duas varetas e as fazem sair pelas narinas. O sangue e o muco que saem das feridas representam as impurezas que o menino recebeu da sua mãe, e que agora estão sendo expulsas.


O rito das debutantes. Pouca gente sabe disso, mas os tradicionais bailes de debutantes, quando as jovens moças são apresentadas à sociedade, são uma versão moderna de ritos iniciáticos muito antigos e comuns a várias culturas ao redor do mundo. Assinalam sempre o fim da infância e o início da idade adulta, como nesta foto em que debutantes inglesas chegam para o seu grande baile.


Festa da menina moça. Esta festa de iniciação é realizada pela tribo Tikuna, que vive na região norte da Amazônia. As garotas começam a participar da iniciação quando menstruam, e ficam durante 4 a 12 semanas em reclusão em um local construído na casa da família com este único propósito. Durante este período, acredita-se que a menina está no submundo, correndo perigo na presença de um demônio conhecido como Noo. Ao final do ritual, outras pessoas utilizam máscaras e se tornam reencarnações do demônio, e a garota fica durante dois dias com o corpo pintado de preto para se proteger do Noo. Na manhã do terceiro dia, ela pode sair da reclusão, e é levada por parentes para as festividades, em que dançam até o amanhecer. Neste momento, a garota recebe uma lança de fogo e deve jogá-la sobre o demônio. Depois disso, a tribo considera que a mulher pode entrar para a vida adulta com segurança.

Creme de banana com vovó. Os Yanomamis, tribo que vive na Floresta Amazônica, não sepultam os próprios mortos. Eles os cremam e comem as suas cinzas misturadas a uma espécie de creme especial, feito à base de bananas amassadas. Na crença desses indígenas, esse ritual serve para liberar a alma do defunto e enviá-la ao mundo dos mortos. Foto: Odair Leal







Sepultura no céu. Algumas populações do Tibete não enterram ou cremam os seus mortos. Os cadáveres são transportados para o alto de montanhas com a ajuda de bois iaques, em longas procissões capitaneadas por monges budistas. Lá no alto, os corpos são desmembrados e oferecidos aos abutres, considerados como reencarnações de anjos.

Jantando com os mortos. Já os indígenas da tribo Toraja, uma população que vive nas montanhas da Indonésia, passam o ano inteiro com os próprios defuntos. No sentido literal da palavra. Depois de embalsamados com folmaldeído, os cadáveres permanecem na casa da família durante muitos anos. São simbolicamente nutridos, lavados e vestidos até que o processo de decomposição não esteja bem adiantado.

Passeando com os mortos. Algumas populações do Madagascar, na África Oriental, costumam exumar periodicamente os corpos dos próprios mortos para mudar o sudário funerário que os envolve. Os cadáveres, antes de serem novamente sepultados, são levados em procissão durante dois dias seguidos, durante os quais os familiares dançam, bebem muito álcool e fazem a festa. Esse rito, chamado Famadihana, é repetido enquanto perdurar na tribo a memória do defunto.

OBS: Este texto tem como função subsidiar o aprofundamento teórico do/a docente. Ele auxiliará o processo de pesquisa. A informação que não se sabe e precisa saber.  O mesmo não tem uma linguagem adequada para ser utilizado com os estudantes do 1º ao 5º anos.
Devemos lembrar que os textos utilizados em sala de aula, com os nossos estudantes devem ter linguagem própria de acordo com a faixa etária, o ano trabalhado e para cada conteúdo abordado.  
O texto informativo é uma produção textual com informação sobre um determinado assunto, que tem como objetivo esclarecer uma pessoa ou conjunto de pessoas sobre essa matéria.

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