Neste blog você irá encontrar sugestões de atividades, atividades já realizadas, informações sobre o Ensino Religioso no estado do Paraná e principalmente em Curitiba. Trabalhar com a diversidade religiosa em sala de aula é algo extremamente rico pois, é na diversidade que aprendemos a respeitar o outro.


21 de maio de 2014

RITO FÚNEBRE AFRICANO - 5° ANO

Desenvolvi nas turmas de 5° anos  um encaminhamento em que trabalho focava  o Rito fúnebre africano . 
Trabalhei com os alunos um pouco da história africana no Brasil. Segue texto:

A Religiosidade afro
            Os africanos não teriam suportado e reagido à escravidão sem o auxílio de seus orixás. De fato, a religiosidade afro-brasileira herdou dos bantos e dos oeste-africanos o culto aos chefes de linhagens, aos heróis fundadores e aos ancestrais.Especialmente dos oeste-africanos chegou-nos, com mais força, o culto aos elementos e forças da natureza, como também às divindades protetoras da atividade humana, os orixás e assemelhados.

            A base de tudo isso é um único princípio: a vida no Universo se conduz através da interação das forças vitais, tanto no plano material quanto no espiritual, e que humanos, animais, vegetais e minerais são elos de uma só cadeia de forças, interligadas por meio de sua energia vital.
             O candomblé, de certa forma, é fruto de um diálogo entre as tradições africanas bantu e  yorubá.
Fonte: Jornal O Transcendente - África berço dos sábios. Ano I, n° 2, Agosto/setembro - 2007.

Para iniciar apresentei aos alunos como no Candomblé se deu a criação do mundo segundo os orixás.


Logo em seguida os alunos tiveram contato com as imagens dos orixás através de imagens e miniaturas.















Logo em seguida a apresentei o vídeo da Márcia de Oxum. Ver link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=vpR7n3mkMwY

Após conhecerem sobre a Tradição Religiosa do Candomblé e que as forças da natureza são representadas pelos orixás, os alunos confeccionaram os seguintes cartazes:




Lemos o seguinte texto: 

Assim, recriou-se aqui o culto aos orixás, que são forças da natureza e aos ancestrais que, embora sendo de origem terrena, se tornaram habitantes do Orun, do “céu” e partes do próprio Deus.
A religiosidade e a cultura afro enriquecem o Brasil e são mundialmente conhecidas. Basta citar, por exemplo, na culinária, o acarajé e o queijo de Minas.
Na arte e na música podemos citar os afoxés, mais conhecidos como “Axé”, os vários tipos de samba, as danças dramáticas, as congadas, os maracatus, a capoeira e o maculelê, a feira de Caruaru, a dança do frevo, entre outros.

Para iniciarmos no Rito Fúnebre fiz a leitura do texto:



Conversamos sobre o mesmo e fizemos a ilustração.
Logo em seguida fizemos a leitura sobre o ritual funerário da Tribo Baulé da Costa do Marfim - África.

     A morte de um membro da tribo não interessa somente à sua família ou ao grupo de parentes e amigos, mas envolve todos os aldeões. Por isso, quando morre um membro na aldeia, a família não pode publicar a sua morte ou manifestar seu sentimento de desconsolo antes que a notícia seja comunicada ao chefe da aldeia. Será ele que, em seguida, dará ordens ao tocador de tambor para que convoque a população na praça pública, debaixo de uma árvore, lugar do anúncio oficial de qualquer notícia importante.

Conversamos sobre o significado da morte e como ela é tratada pelos familiares, comunidade enfim por todos.
Cada um deu a sua opinião e contou um pouco sobre como é feito em sua tradição religiosa.
 Após esta leitura os alunos foram divididos em grupos e cada grupo ficou responsável por uma parte do Rito Fúnebre:

- Anúncio de morte;
- Exposição do morto;
- Sepultamento e 
- Adeus ao defunto.

Cada grupo ganhou o texto respectivo ao seu assunto.

ANÚNCIO DE MORTE:
O som do tambor é entendido à distância e cada aldeão deixa imediatamente seus afazeres, mesmo estando na roça, para participar do anúncio da partida de um dos seus, para a aldeia dos antepassados.
Somente depois que a notícia é dada, todos os presentes, do menor ao maior, para manifestar seus sentimentos de pesar, terão que chorar um pouco. Em seguida, um ancião consola a todos e juntos vão para a casa do falecido.
Os anciãos, chegando lá, tomarão as decisões mais urgentes para o bom andamento do funeral: Quem vai lavar o cadáver? Quem vai cavar a cova fúnebre? Qual a religião que ele praticava? (para que sua crença seja respeitada) Quem organiza a dança fúnebre? Quem vai dar a notícia nas outras aldeias vizinhas? Essa última função era reservada ao chefe e seus notáveis, pois o chefe é o guardião da tradição e o responsável pelos aldeões.

EXPOSIÇÃO DO MORTO:
Depois de lavado o corpo do defunto, ele é exposto para a visitação dos aldeões. Não existe uma regra única para a exposição do cadáver, isso depende do status social do falecido ou do que ele mais gostava em vida.
Se o falecido for um chefe, ele será revestido de toda a sua indumentária tradicional e contará com a presença de suas serventes, que passarão o tempo todo espantando as moscas e insetos que se aventurarem a pousar sobre o corpo.
No caso de uma moça bonita, depois de bem vestida e ornamentada com bijus, será exposta sentada numa cadeira, com as costas apoiadas no muro da parede, os olhos abertos e as mãos apoiadas sobre os joelhos. Dessa forma, os visitadores ainda poderão admirar a sua beleza.
Nesta postura, acreditam que ela se alegrará com o espetáculo da dança que será feito em sua honra.
Quando o falecido é um rapaz que gostava de jogar futebol, terá ao seu lado uma bola, um apito... e seus colegas lhe prestarão uma homenagem, como se estivessem jogando uma partida de futebol.

SEPULTAMENTO:
Antes do momento do enterro, muitas pessoas trazem uma peça de pano, às vezes de qualidade, para oferecer ao defunto, com o qual será embrulhado. Segundo a crença, estes tecidos serão apresentados aos seus antepassados que estão na outra vida, dizendo-lhes: “Veja o que meus parentes e amigos me ofereceram, eles foram generosos para comigo”.
Os antepassados, desta forma, continuarão a abençoar e proteger aquela aldeia e todos os seus habitantes. As pessoas oferecem também animais domésticos, para serem sacrificados em sua honra ou oferecidos aos visitantes.
Nada daquilo que foi doado poderá ser guardado, tudo deve ser oferecido em sacrifício ou utilizado nos dias que sucederão à cerimônia fúnebre.
O termômetro, para determinar a quanto uma pessoa foi amada em sua vida terrena, é medido pelos dons e pela solenidade da cerimônia fúnebre (dança, música, comida, bebida, participantes...).


ADEUS AO DEFUNTO
Um ancião enche uma cabaça com vinho de palma e derrama o conteúdo no fundo da cova, invocando os antepassados dizendo: “venham, eis aqui o vosso vinho, bebam e protejam todos os habitantes da aldeia”.
Posteriormente, colocam o defunto na cova e, antes de cobri-la com terra, outro ancião se aproxima e, em nome dos aldeões, dá o “último adeus” ao falecido. Segundo a crença, este é o momento exato em que o espírito do falecido se desintegra do corpo e parte para a aldeia dos antepassados.
O ancião, então, diz em voz alta: “Nós te damos o nosso até logo, ignoramos quem te matou. Se foi o firmamento (divindade local) que te chamou, vai em paz; todavia se foi um inimigo, mata-o e leva-o contigo.”
Em seguida, começa-se a cobrir de terra a cova, começando de maneira superficial, porque é esta primeira camada de terra rasa que estará em contato com o cadáver. E, como a terra (divindade local) ouviu o derradeiro adeus feito pelo ancião e viu todas as suas ações, logo relatará ao defunto toda a verdade.
Dizem os anciãos: “em vida pode-se enganar os outros, mas com a morte tudo se esclarece, não há mais mistério para o falecido”.
Para concluir este ritual, os anciãos e os coveiros se reúnem em torno da cova para beber o resto do vinho de palma.
Na entrada da aldeia, acendem uma fogueira e passam pelas chamas de fogo os instrumentos de trabalho a fim de purificá-los dos vestígios da morte.
O rito fúnebre não se encerra com o sepultamento. As cerimônias vão se estender ainda por mais três dias para as mulheres e quatro dias para os homens.

Foram mais ou menos 4 aulas para que os grupos se organizassem e encontrassem a melhor maneira de representar os textos, foram feitos maquetes, cartazes onde os grupos depois deveriam se organizar e apresentar para os colegas em ordem como acontece o rito.

Confiram como ficaram os cartazes e as apresentações:






ANÚNCIO DE MORTE

EXPOSIÇÃO DO MORTO


SEPULTAMENTO

EXPOSIÇÃO DO MORTO
SEPULTAMENTO


ADEUS AO DEFUNTO
APRESENTAÇÃO DE UM DOS GRUPOS PARA OS COLEGAS.
Logo após as apresentações os alunos assistiram os seguintes vídeos:




Este foi o encaminhamento realizado com os 5° anos da minha escola com os conteúdos deste componente curricular sobre o Rito de morte.

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