22 de fevereiro de 2022

Sentimentos, lembranças, memórias e saberes

-     Ano: 1º ano

-   Objeto/s de conhecimento: Sentimentos, lembranças, memórias e saberes

-   Habilidade/s:

(EF01ER05) Identificar e acolher sentimentos, lembranças, memórias e saberes de cada um.

(EF01ER06) Identificar as diferentes formas pelas quais as pessoas manifestam Sentimentos, ideias, memórias, gostos e crenças em diferentes espaços. 

2      Justificativa

Acredito que na Unidade: Manifestações religiosas, é possível proporcionar o conhecimento, a valorização e o respeito às distintas experiências e manifestações religiosas, e a compreensão das relações estabelecidas entre as lideranças e denominações religiosas e as distintas esferas sociais, de forma lúdica e de fácil compreensão. É possível explorar os diferentes grupos a que fazem parte ou os ambientes em que os estudantes vivem, ambiente familiar, escolar, social e o grupo/espaço religioso, todos estão carregados de lembranças, sentimentos e que por consequência estão nas memórias dos mesmos e que em sala de aula serão explorados e compartilhados com os demais colegas.

Esse objeto do conhecimento será abordado de forma lúdica, com muito diálogo e contando com a participação dos estudantes. Apresentarei através de uma problematização com a personagem Anahí – uma menina indígena, que irá contar um pouco sobre os seus costumes, seus sentimentos de pertencimento a aldeia, suas lembranças de convívio e o compartilhar do que está em sua memória para com os colegas.

Nessa sequência dessa aula foi possível perpassar por outros objetos de conhecimento: Símbolos Religiosos (2º ano), Alimentos Sagrados (2º ano) e Ritos Religiosos (4º ano) sem que seja sistematizado mais apenas citados pois, os estudantes irão saber que dentro do objeto de conhecimento: Sentimentos, lembranças e memórias eles existem e fazem parte da prática religiosa.

A aula foi elaborada no contexto da cidade de Curitiba que contempla uma aldeia urbana indígena e nomes de rios de origem indígena.

Sabemos que para os Povos Indígenas não há uma separação entre o Sagrado e o Profano, nesse momento é possível abordar alguns sinônimos para a palavra Sagrado ao falar com os estudantes, como: muito importante, que merece muito respeito, algo muito especial, os estudantes ainda estão realizando a ampliação do vocabulário e aos poucos é possível falar que para esses povos tudo é importante e por consequência se torna sagrado.

A partir da personagem Anahí é possível explorar as características da personagem
como: nome, gostos e o modo de vida. É possível fazer a relação do dia-a-dia da personagem com o hábito de brincar dos demais estudantes, dos gostos que possui, da prática religiosa que realizam ou conhecem. Existe algo em comum entre Anahí, a personagem e os estudantes?


2      Objetivo

-  Identificar e acolher sentimentos, lembranças, memórias e saberes de cada um dos estudantes; - Identificar as diferentes formas pelas quais as pessoas manifestam sentimentos, ideias, memórias, gostos e crenças em diferentes espaços.

 Essa atividade tem como finalidade de aprendizagem, que o estudante possa falar um pouco de si, possa compartilhar os saberes, conhecimentos e experiências – do senso comum ou o que já realiza em seu lugar sagrado, caso frequente.

A troca irá enriquecer o campo das experiências vivenciadas pelos estudantes e a percepção da diversidade que contém em sua sala de aula devido às diferentes formas de crer.

 

5 Ações e Operações

      Iniciar a atividade com a seguinte questão (Será colocada em forma de cartaz no quadro de giz com a realização de uma leitura apontada pelo professor):


              A partir da afirmação e das questões, levantar alguns questionamentos, tais como:

              Quem está falando? É possível saber sem que o personagem apareça?

              O que é uma aldeia?

              Você sabe o que é uma peteca?

              Após esses questionamentos e compartilhamentos de hipóteses, mostrar aos estudantes a seguinte imagem:



Ver animação:

Aqui o professor poderá montar a imagem da personagem Anahí no formato de um quebra-cabeça e colocar cada uma das imagens para que os estudantes identifiquem a Anahí e também a utilização de letras que forma o nome da mesma através de imagens menores que ao unir as iniciais formam o nome ANAHÍ.

               Considerando que nos anos iniciais, todo o processo pedagógico precisa contribuir para  o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, a atividade acima, auxiliará na alfabetização matemática e no letramento. 

         Vamos ler o que mais Anahí falou: colocar os balõezinhos de fala próximo a personagem no quadro de giz (com a realização da leitura apontada pelo professor/a):




Conversar com os estudantes sobre as palavras que eles já conhecem e quais palavras são novas – aqui podemos realizar a ampliação do vocabulário;

Fazer a relação balão a balão contextualizando com a realidade dos estudantes:

              Nossa comunidade vive em uma aldeia? Será que em nossa cidade existe uma aldeia indígena? Mostrar a Aldeia Kakané Porã – Curitiba ou outra da sua região.


COHAB. Aldeia indígena urbana Kakané Porã, no Campo de Santana. Curitiba, 17/04/2013 Foto: Rafael Silva. Disponível em: https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/aldeia-indigena-de-curitiba-luta-para-preservar-cultura/29196 . Acesso em 15 nov 2021. 


              É importante falar sobre o uso do cocar que ao caracterizar a Anahí, ele foi utilizado como um recurso, não é utilizado o estereótipo apresentado normalmente. Falar que o uso do cocar acontece em momentos importantes, especiais, festivos e/ou nos ritos religiosos, por isso é considerado muito especial pelas populações indígenas. 

              Resgatar a brincadeira da peteca e perguntar com o que os estudantes brincam hoje. Confeccionar ou desenhar a peteca no caderno. Se confeccionada, interessante proporcionar aos estudantes brincarem com ela.

              Fazer uma pesquisa com os familiares sobre as brincadeiras que eles brincavam quando eram pequenos. Verificar se algumas dessas brincadeiras são de origem indígena. É interessante para o trabalhar o conceito de herança cultural, isso porque os conceitos de memória, saberes e sentimentos guardam profunda relação com aquilo que recebemos dos pais e demais antepassados.

              Realizar as atividades que seguem:



Pode-se também realizar um caça palavras das palavras que apareceram na fala da Anahí:




              Em nossa cidade existem rios?  Você conhece algum? Você sabe o/s nome/s dele/s? – a partir disso, trabalhar a questão do nome indígena, como:

 

Barigui = água de mosca

Passaúna = homem negro – nome original: apahuna

Uvu = água que brota da terra

Iraí = água (ou rio) do mel (ira+i)





Para desenvolver mais aprendizagens, será necessário observar uma série de questões e atividades:

              Colocar no quadro as 3 palavras destacadas em negrito;

             Você sabe o que uma OPY? Falar que é um lugar sagrado onde os indígenas dançam e cantam. Construir uma Opy com tirinhas de papel kraft, pode ser em dupla (grande para a produção de um cartaz) ou individual (pequena que caiba no caderno).

Veja um exemplo dessa atividade: http://ensinoreligiosoemsala.blogspot.com/2016/04/opy-lugar-sagrado-1-ano.html

              A Anahí disse que nesse espaço é realizado o BATIZADO. Você sabe o que é um batizado? 

              Trazer imagens de diferentes batizados, nesse momento é possível falar das religiões que realizam o batizado, como a Umbanda e o Catolicismo ou a iniciação budista ou Vaishnava. Fazer uma atividade sistematizada, como: Como as pessoas se sentem nesse dia; qual a forma de registro do momento para que possam mostrar para outras pessoas ou que possam revisitar em outro momento.

              Também é possível falar sobre o alimento – MILHO – quando todos se reúnem para comer, muitas pessoas têm o hábito de agradecer o alimento que está à mesa como parte da formação religiosa, tanto familiar quanto institucionalmente pela denominação religiosa.



              Você já participou ou viu como é realizado um batizado? Onde ele foi realizado?

              Em nosso bairro existe uma opy ou outros lugares onde as pessoas se reúnem?

              Como atividade de casa, solicitar que os estudantes tragam imagens  de lugares sagrados e lugares não sagrados para a sala de aula. Conjuntamente, classificá-las com os estudantes e em seguida explorar como eles se sentem ou que “comportamentos” devem ter quando frequentam esses lugares.

              Após essa atividade é possível explorar os lugares sagrados da comunidade.  Lembrando que além da diversidade já existente é preciso verificar se as 4 matrizes religiosas estão sendo contempladas.

              Nesse momento o/a professor/a faz a interferência e amplia a visão do estudante mostrando que no espaço de referência, o bairro, a cidade é possível contemplar os lugares sagrados não contemplados no espaço de vivência – a comunidade.

              É possível pensar nas lembranças, nas memórias que cada um guarda de algum momento em que participou de uma cerimônia religiosa, que sentimento teve.

Ou até mesmo em momentos difíceis ou de agradecimento o que fazem os mais velhos? A que ou a quem recorrem para que seus problemas possam ser “resolvidos”. (aqui, não necessariamente, serão elencados somente os problemas mas, todos os momentos em que se faz a relação com o sagrado – lembrando que esse diálogo será partindo da contribuição dos estudantes).

        6 Tempo

Será necessário de 5 a 6 aulas;  iniciar com a matriz indígena pode ser um meio para que as demais matrizes possam ser trabalhadas.

 

       7 Recursos

Imagens de alguns ritos religiosos e espaços religiosos, caderno, lápis de cor, papel Kraft, giz, quadro verde.

 

       8 Avaliação

A avaliação se dará no processo de ensino-aprendizagem, na mediação e na interação dos estudantes. As atividades devem proporcionar uma fala espontânea dos estudantes, é necessário que o/a professor/a incentive a participação dos  estudantes, fazendo com que contem um pouco sobre a bagagem de conhecimentos que já possuem e que possam (re)significa-los.

Solicitar que os estudantes façam uma ilustração sobre como se sentiram em relação ao aprendizado realizado. Em seguida, fornecer imagens como: a Opy Guarani, o batismo nas diferentes religiões, a iniciação Vaishnava e confeccionar um jogo da memória relacionando as imagens aos sentimentos expressados pelos adeptos.

Com as mesmas imagens é possível criar com os estudantes porta-retratos, e em seguida cada um irá ilustrar o seu porta-retrato, com a sua lembrança, memória.

ESSA SEQUÊNCIA DIDÁTICA FOI APRESENTADA NA FINALIZAÇÃO DO CURSOFundamentos Metodológicos do Ensino Religioso - 09/10 a 30/10/2021- PUC/PR  e FONAPER.

Agradeço de 💓 a sua visita ao blog e espero que as sugestões aqui postadas auxiliem no planejamento das suas atividades, mas ressalto que é de extrema importância que o meu trabalho seja referenciado. A demanda de tempo em pesquisar e elaborar as atividades é muito grande por isso, quando utilizá-las faça as devidas referências por gentileza ou escreva que foram Adaptadas de Adriana Mello ou Blog Ensino Religioso em sala de aula. 

 9 Referências

BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Curricular Comum, 2017.

COHAB. Aldeia indígena urbana Kakané Porã, no Campo de Santana. Curitiba, 17/04/2013 Foto: Rafael Silva. Disponível em: https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/aldeia-indigena-de-curitiba-luta-para-preservar-cultura/29196 . Acesso em 15 nov 2021.

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